No dia 18 de Junho de
1946, numa terça-feira, às 16:40 horas, na Rua Conselheiro Saraiva, número 39, antiga Rua Direita, em Santo Amaro da Purificação – Bahia, nascia mais um filho de Dona
Claudionor Vianna Telles Velloso (Dona Canô) e Senhor José Telles Velloso (Sr.
Zezinho ou Zeca), desta vez uma menina, cujo nome foi escolhido pelo irmão
Caetano Emanuel, que nesta época tinha quatro anos de idade. O nome não poderia
ser ao mesmo tempo tão sonoro, belo e forte quanto é: Maria Bethânia. Essa
Estrela-Guia, Deus nos presenteou para dar alegria, felicidade e amor, muito
amor, para em qualquer momento que a ouçamos cantar ou falar nos transportemos
para um mundo de paz, esperança e onde saibamos acima de tudo respeitar o próximo
e amá-lo em plenitude, enfim, um mundo mágico onde só é possível chegar através
do amor sublime.
Mas, a escolha do
nome não foi assim tão fácil, vejamos: Conta-se uma história verídica do século
passado, sobre uma determinada criança que já nasceu consagrada, numa pequena
cidade do interior da nossa tão bela, querida e amada Bahia...
Na casa dos Vianna
Telles Velloso tudo transcorria normalmente. As tardes continuavam a ser
decoradas pela figura imponente do rádio, que tinha naquela família um ardoroso
fã de quatro anos de idade: o menino Caetano. Era pensando especialmente em seu
encantamento que seguindo um ritual, o botão do aparelho era acionado para
vislumbrar um mundo vasto e poderoso aos sentidos aguçados do garoto.
Caetano tinha mais
quatro irmãos, eram três meninas (Eunice, Clara e Mabel) e dois meninos
(Rodrigo e Roberto). Dona Canô estava em vias do sétimo filho. Foi talvez por
causa de suas incansáveis audições de rádio, que Caetano apareceu um dia com
mais uma idéia maluca na cabeça: disse que a criança que mãe Canô esperava
seria menina e se chamaria Maria Betânia (na letra da música o Betânia é sem h).
Evidentemente que aquilo não passou de uma tolice aos ouvidos de Dona
Canô e Sr. Zezinho. Sabiam que Maria Betânia era nome de uma música muito
famosa, de autoria de Capiba e interpretada por Nelson Gonçalves, que a gravou
em 1945. E batizar um filho com nome de uma
música, era a última coisa que lhes passava pela cabeça.
A 18 de junho de 1946, eles eram pais de mais uma menina, conforme previsão
de Caetano. E como tirar da cabeça de Caetano a absurda idéia de colocar nome
de "Betânia" na criança? Havia outras sugestões de nome como Gisleine
e Maria de diversos complementos, porém D. Canô não tinha preferência, pois
como toda mãe o desejo maior é de que a criança seja saudável.
Sr. Zezinho pegou um boné que pertencia a Caetano. Reuniu a família e pediu a
todos que escolhessem um nome. Democraticamente numa espécie de plebiscito os
nomes foram escritos num papel, embrulhados e colocados dentro do boné. Um
aviso geral, principalmente dado a
Caetano: o nome escolhido através do sorteio, não poderia ser contestado.
Depois do boné ser bem agitado para embaralhar os rolinhos de papel, Sr.
Zezinho o dirigiu a Caetano que fechou os olhos e fez a escolha. Pronto! A
criança estava quase batizada. Seu nome? MARIA BETÂNIA é claro! E como nos
disse a Rainha: O velho, muito católico, lembrou-se do personagem bíblico que
um dia auxiliou Jesus na dor e botou como na Bíblia que lia: com th e o
circunflexo. Acho que o h no meio é que dá o charme. Bahia também tem, né?
(Rev. Guitarra & Violão MPB, 1980, mod.)
Maria Bethânia foi
batizada na Igreja Nossa Senhora da Penha, em Salvador, pela irmã Clara e por
Eduardo Mamede, hoje falecido.
Maria Bethânia desde
criança dizia a Dona Canô: Eu vou ser artista minha mãe. Tinha como sonho subir
no palco como atriz. Não estava nos seus planos fazer do canto a sua profissão.
Em casa, porém, o irmão Caetano já brincava de fazer música. Em sua cidade
natal Bethânia cursou na Escola Nossa Senhora dos Humildes as séries iniciais
do ensino fundamental dando prosseguimento no Colégio Teodoro Sampaio e em
1960, a família saiu de Santo Amaro vindo morar em Salvador e Bethânia e
Caetano passaram a estudar no Colégio Severino Vieira, localizado no bairro de
Nazaré. Dona Canô nos conta que naquela época, Bethânia sentava na janela e
começava a cantar.
Quando Caetano foi
convidado pelo amigo Álvaro Guimarães, Alvinho, para musicar a peça Boca de
Ouro de Nélson Rodrigues, montada em 1963. Pela primeira vez Bethânia subiu no
palco para cantar em público. E foi com um samba de Ataulfo Alves que ela abriu
o espetáculo. Bethânia nos conta que cantou a música: Cadência do Samba. Eu
cantava "off" (atrás da cortina). Mas, fiz até roupa nova pra cantar.
Curti tanto... Fiquei louca. Eu devia ter uns treze anos. Antes o que Bethânia
conhecia de música era Nora Ney, Aracy de Almeida, Silvio Caldas, Orlando Silva
e Maysa.
Neste mesmo ano, em 63, Bethânia e Caetano conheceram Gilberto Gil, Gal Costa,
Tom Zé, Djalma Corrêa, Pitti, Alcivando Luz, Fernando Lona e passaram a cantar
e a trabalhar juntos, já com João
Gilberto e a bossa nova interferindo e modificando as suas vidas.
Em junho de 1964, o
grupo foi convidado para apresentar um show de música popular na semana de
inauguração do Teatro Vila Velha, em Salvador. E surgiu o show Nós Por Exemplo.
O segundo espetáculo montado pelo grupo se chamou Nova
Bossa Velha, Velha Bossa Nova. Ainda em 64, novo show: Mora na
Filosofia. Dessa vez só com Maria Bethânia em cena, lançada oficialmente
cantora por Caetano Veloso. Nesse show, Bethânia é vista e aplaudida pela então
musa da bossa nova, Nara Leão.
No início de 65
arrumou as malas às pressas e acompanhada pelo irmão Caetano veio para o Rio de
Janeiro, atendendo a um convite de Nara Leão para substituí-la na peça Opinião
(participação de Zé Kéti e João do Vale, direção musical de Dory Caymmi e
direção de Augusto Boal). Nessa época Nara não conhecia Bethânia pessoalmente,
mas aceitou a sugestão do Roberto Santana e do Grupo Teatro dos Novos, após ter
ouvido uma fita de um show em que Bethânia participara e ficou interessada pela
voz da mesma. E pelo fato da atriz Nilda Spencer fazer parte do grupo de Teatro
dos Novos, ficou encarregada de transmitir o convite a Bethânia. Bethânia
estreou no dia 13 de fevereiro. Começou cantando manso, mas em Carcará sua voz
explodiu marcando seu primeiro sucesso nacional e popular. A música de João do
Vale marcou sua estréia em disco (LP Maria Bethânia lançado
pela RCA em 1965) Bethânia assumia uma imagem de cantora de protesto, imagem
essa forçada pela proposta e, sobretudo pelo sucesso do show Opinião. Ao sentir
que o sucesso poderia desviar o curso de seu trabalho, antes mesmo de ter feito
a sua opção profissional, Bethânia arrumou as malas de volta a Salvador.
Disposta a prosseguir
cantando, retornou ao Rio de Janeiro em 1966. Pouco depois assinou contrato com
a TV Record por seis meses e dirigida por Augusto Boal participou ao lado de
Gal, Gil, Caetano, Pitti e Tom Zé do show Arena Canta Bahia no Teatro de Arena.
Ainda
no ano de 66 e mais uma vez dirigidos por Augusto Boal, os baianos fizeram o
show Tempo de Guerra no mesmo Teatro de Arena.
Maria Bethânia,
Vinicius de Moraes e Gilberto Gil no mês de setembro apresentaram no Teatro Opinião
o show Pois É, roteiro de Capinam, Torquato Neto e Caetano Veloso, direção
musical de Francis Hime e direção geral de Nélson Xavier. E no mês seguinte,
outubro de 66, Maria Bethânia enfrentava o público do Maracanãzinho defendendo
a música Beira Mar de Caetano Veloso e Gilberto Gil, não incluída entre as
finalistas do I Festival Internacional da Canção. Em 1967, Bethânia
aceitou o convite de Edu Lobo para gravar o disco Edu Lobo
e Maria Bethânia, lançado pela Elenco. Nesse disco, pela voz de Bethânia
está o samba Só Me Fez Bem, o primeiro da parceria Edu lobo e Vinícius de
Moraes.
Sua força no palco
marcaria as sucessivas apresentações de Maria Bethânia em boates e teatros do
Rio e São Paulo até 1970. Entre elas se destacam: Recital Boite Cangaceiro (Rio),
Recital Boite Barroco (Rio), Yes, Nós Temos Maria Bethânia (Teatro de Bolso,
Rio), Comigo Me Desavim (o primeiro show dirigido por Fauzi Arap, Teatro Miguel
Lemos, Rio), Recital Na Boite Blow Up (SP), Brasileiro Profissão Esperança
(direção de Bibi Ferreira com Ítalo Rossi, Teatro Casa Grande, Rio)
Em 1968 ela participou do LP Veloso, Gil e Bethânia lançado pela RCA. Caetano e
Gil e Bethânia dividiam o lado A do disco cantando uma faixa cada um. Do lado B
somente músicas de Noel Rosa interpretadas por
Maria Bethânia.
Ainda em 1968,
contratada pela Odeon,Bethânia lançou o LP Recital Na
Boite Barroco. Em 1969 e 1970, respectivamente, Bethânia lançou os LPs Maria Bethânia e Maria
Bethânia Ao Vivo.
Em 1971, dois acontecimentos marcaram o início de uma nova fase na carreira de
Maria Bethânia. Em janeiro ela gravou em estúdio, o LP A
Tua Prescença, seu primeiro disco lançado pelo selo Philips e também o
primeiro a receber generosos e unânimes elogios da crítica por sua qualidade
técnica e artística. Em julho, dirigida por Fauzi Arap, acompanhada pelo Terra
Trio, Bethânia estreava, no Teatro da Praia (Rio de Janeiro), o show Rosa Dos
Ventos. Um espetáculo diferente que dava a Bethânia a possibilidade de mostrar
sua versatilidade no palco, atuando com atriz e intérprete dos mais variados
gêneros de música popular, de bolero ao baião, passando pelo frevo, tango,
samba, música jovem ou inspirada nos temas de candomblé.
Do show Rosa dos Ventos, resultou o disco do mesmo nome,
lançado em setembro de 71, pela Philips, com produção de Roberto Menescal.
Ainda em 1971, ela fez sua primeira viagem internacional, apresentando seus
maiores sucessos no MIDEM.
No ano seguinte, ao
lado de Chico Buarque e Nara Leão, Maria Bethânia participou do filme Quando O Carnaval Chegar, dirigido por Cacá Diegues. A
trilha sonora do filme foi lançado em agosto de 1972 pela Philips.
Em novembro do mesmo
ano chegava às lojas o disco Drama – Anjo Exterminado,
produzido por Caetano Veloso. Bethânia apresenta-se no exterior (Itália,
Alemanha, Áustria, Dinamarca e Noruega).
Em 1973, Antônio Bivar e Isabel Câmara assinam a direção do show Drama, Luz da Noite. Mais uma vez Bethânia lotou o
Teatro da Praia. O show está registrado no disco Luz da Noite lançado em
dezembro do mesmo ano.
Em 1974, Bethânia e
Fauzi Arap se reencontram para montar o show A Cena Muda. Com esse show
Bethânia comemorou 10 anos de carreira. E foi justamente em cima do tema
sucesso que ela e Fauzi traçaram o roteiro musical. O disco A Cena Muda foi gravado ao vivo no Teatro Casa Grande
e lançado em novembro do mesmo de 1974.
Chico Buarque e Maria
Bethânia despontaram o cenário musical brasileiro praticamente na mesma época.
Entretanto nunca tinham pisado juntos num mesmo palco. Esse memorável encontro
aconteceu no dia 6 de junho de 1975, idealizado por Caetano Veloso, Rui Guerra
e Oswaldo Loureiro. Desse encontro surgiu o LP Chico
Buarque e Maria Bethânia gravado ao vivo no Canecão, lançado pouco
depois da estréia, reunindo os melhores momentos do show.
No início de 1976, Bethânia entrou mais uma vez em estúdio. Dessa vez para
gravar o LP Pássaro Proibido, marco de sua
carreira. Além do primeiro disco de ouro recebido pela vendagem deste lp, Maria
Bethânia, através da música Olhos Nos Olhos de Chico Buarque, deixou de ser uma
cantora executada somente nas rádios FM para ocupar os primeiros lugares das
emissoras AM e ser definitivamente consagrada como uma cantora popular.
Em julho de 1976 se
realizou um encontro histórico: após 10 anos de carreiras individualmente
vitoriosas Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa assumiram a
identidade de um novo grupo Os Doces Bárbaros. A estréia nacional ocorreu no
dia 24 de junho no Anhembi, de São Paulo.
Toda a efervescente trajetória de Os Doces Bárbaros
foi captada pelo diretor Jom Tob Azulay e transformada num divertido,
controvertido e satírico longa metragem musical. O registro em disco está num
álbum duplo lançado pela Philips em novembro de 1976.
No dia 13 de janeiro
de 1977, estreava no Teatro da Praia, Pássaro da Manhã,
um show leve, menos tenso que os anteriores, dirigido por Fauzi Arap e cenários
de Flávio Império. O show ficou registrado num belo LP do mesmo nome. Trata-se
de um registro de estúdio e não de um disco ao vivo. Com este lp, Maria
Bethânia recebeu o segundo disco de ouro da sua carreira.
Em maio de 1978, Caetano e Bethânia subiram no palco do teatro Santo Antônio. O
espetáculo, roteiro de Caetano e Bethânia com sua direção geral, está
registrado no LP Maria Bethânia e Caetano Veloso
Ao Vivo, gravado na Bahia e no Rio de Janeiro, (Canecão).
Pouco antes do natal
de 1978 foi lançado o LP Alibi que pela vendagem
antecipada já chegava às lojas como disco de ouro. Todo esse sucesso foi
mostrado ao vivo. Dirigida por Fauzi Arapi e cenário de Flávio Império, Maria
Bethânia estreou no Teatro Cine Show Madureira (24 - 29 de julho).
No mês de dezembro de 1979 aconteceu o lançamento do disco Mel. A década de 70 encerraria para Maria Bethânia de
um modo particularmente especial. Ela foi a única cantora convidada para
participar do especial de fim de ano de Roberto Carlos, produzido pela Rede
Globo. Em janeiro de 1980, Bethânia pisava no palco do Canecão com o show Mel,
dirigida por Wally Salomão.
Em 1980 a década é
aberta com LP Talismã, outro sucesso de vendas e
que manteria a sua consagração junto ao grande público e crítica.
Em 1981 volta ao
Teatro da Praia, 10 anos depois de Rosa Dos Ventos, para estrear o espetáculo
Estranha Forma de Vida novamente dirigida por Fauzi Arap e com cenário de
Flávio Império. São apresentados 54 números - entre músicas e textos - que
compõem o roteiro. No mesmo ano sai o disco Alteza.
Em 1982, volta ao
Canecão (Rio) dirigida por Bibi Ferreira no show Nossos
Momentos, uma colagem de seus shows anteriores entremeados de canções
novas, algumas compostas especialmente para o show. O disco homônimo sai a
seguir.
Em 1983, desgastada
com a superexposição alcançada pelo grande sucesso e as super vendas de seus
discos e a conseqüente pressão das gravadoras, volta ao disco com Ciclo. Nele ouvem-se canções acústicas e letras
sofisticadas, quebrando regras que pareciam permanentes em sua discografia.
Aclamado pela crítica e recebido com estranhamento pelo grande público, liberta
a cantora de compromissos e a traz de volta à liberdade que sempre a
caracterizou na elaboração de seu trabalho.
Em dezembro deste
ano, Sr. Zezinho se despede desta vida e Bethânia sofre muito com a separação
daquele que fora sempre um exemplo, um amigo e como tal lhe disse e participou
de tantas coisas boas e importantes na sua vida, dentre elas citamos a resposta
que deu a Bethânia quando em 1965, após o sucesso de Carcará, ela lhe disse que
havia decidido ser cantora e pediu-lhe a bênção, pois ficaria no Rio de
Janeiro: “Se você for feliz, você é responsável. Se for infeliz, eu sou o
culpado”. Palavras de Bethânia comentando a resposta recebida: Foi sua
resposta. Uma coisa muito bonita. Nunca esquecerei.
No ano de 1984
estréia no Canecão (Rio) o show A Hora da Estrela dirigido por Naum Alves de
Souza baseado na obra de Clarice Lispector, um projeto ambicioso com linguagem
teatral com música. O repertório trazia canções de Chico Buarque e Caetano
Veloso feitas especialmente para o espetáculo. A seguir é lançado o disco A Beira e o Mar. Pouco divulgado pela gravadora,
passaria desapercebido não fosse o repertório impecável que misturava algumas
canções do show A Hora da Estrela com canções inéditas e regravações. Neste
disco encontra-se a gravação antológica da canção Na Primeira Manhã de Alceu
Valença.
Em 1985 estréia no
Canecão o espetáculo 20 Anos, novamente uma colagem de espetáculos anteriores,
dirigido por Bibi Ferreira.
Em 1986 Bethânia
assina contrato com a RCA para a gravação de 3 discos, o primeiro é Dezembros, disco com canções inéditas de Tom Jobim,
Chico Buarque e Caetano Veloso, e uma feita especialmente para ela por Milton
Nascimento chamada Canções e Momentos escrita em homenagem à comovente
interpretação da canção A Primeira Manhã feito por ela.
Em 1988 sai o disco Maria com participações
especiais de Jeanne Moreau e Gal Costa. Na capa uma negra em vez de uma foto da
cantora "Simbolizando todas as Marias do mundo”.Estréia no Scala (Rio de
Janeiro) o show MARIA dirigido por Fauzi Arap.
No ano de 1989 é
lançado o disco Memória da Pele com canções de
Djavan, Chico Buarque entre outros. No Scala (Rio) é apresentado o espetáculo
Dadaya - As 7 Moradas, dirigido por Ulysses Cruz feito para ser apresentado no
exterior.
Em 1990, os 25 Anos
de carreira é celebrado com disco 25 Anos - Canto do
Pajé e o show 25 Anos. O disco traz participações especiais de Nina
Simone, Hermeto Paschoal, Egberto Gismonti, João Gilberto entre outros. O show
dirigido por José Possi Netto estréia no Imperator (Rio) e trazia textos de
Fausto Fawcett e uma interpretação comovente de Explode Coração à capela.
O disco Olho D´Água é lançado em 1982. Sem o
apoio da gravadora, mais uma vez o trabalho passa quase desapercebido, a não
ser pela inclusão da canção Além da Última Estrela em uma novela de televisão.
O ano de 1993 traz de
volta a recordista de vendas do tempo do disco Álibi. O disco As Canções Que Você Fez Pra Mim com músicas de Roberto
e Erasmo Carlos é um estrondoso sucesso de público e crítica ultrapassando
todos os limites de venda daquele ano. O show homônimo dirigido por Gabriel
Villela no Canecão (Rio), traz de volta em termos de números e prestígio a consagração
da cantora.
Novamente um
rompimento com a gravadora para manter a qualidade inabalável e despreocupada
com números de sua carreira. Assina contrato com a gravadora EMI Odeon e lança
o disco Âmbar com canções de novos compositores
como Chico César, Arnaldo Antunes e Adriana Calcanhoto. O show homônimo
dirigido por Fauzi Arap traz os poemas de Fernando Pessoa declamados por ela entremeados
de canções inéditas e outras conhecidas do público.
Em 1997 sai o
registro do show Âmbar em um cd duplo intitulado Imitação
da Vida, gravado ao vivo em dezembro de 1996, no Palace São Paulo.
Em 1999 estoura nas
paradas de sucesso a música Brincar de Viver, do
cd homônimo lançado pela Polygram e traz outras pérolas como Teresinha,
Começaria Tudo Outra Vez, Rosa dos Ventos e Fé Cega, faca Amolada do original
Doces Bárbaros. Neste mesmo ano lança A Força que Nunca
Seca onde Bethânia mistura o jeitinho do Trenzinho Caipira com É o Amor
de Zezé de Camargo quando foi severamente criticada, mas o público aplaudiu,
além de todo o romantismo de Eu Queria que Você Viesse e A Força que Nunca Seca
de Chico César e Vanessa da Mata e que ela dedica à memória de Mãe Cleusa do
Gantois.
Em seguida o show A
Força que Nunca Seca é lançado num cd duplo: Diamante
Verdadeiro, gravado ao vivo, uma verdadeira obra de arte onde ela faz um
passeio no tempo rememorando Carcará, Drama e Mel, tudo isso mesclado com
preciosos poemas tão lindamente recitados.
Em 2001 lança o cd Maricotinha, último trabalho pela BMG que traz músicas
de compositores já consagrados como Gilberto Gil e Dorival Caymmi, mas traz
também músicas de jovens compositores como O Canto de Dona Sinhá de autoria de
Vanessa da Mata e que ela canta com Caetano, Nem Sol, Nem Lua, Nem Eu de Lenine
e Dudu Falcão e a belíssima composição de Ana Carolina e Totonho Villeroy Pra
Rua me Levar. Trata-se de um trabalho rico e emocionante como tudo que Bethânia
faz.
E, pela Biscoito Fino
grava Maricotinha ao Vivo, cd duplo, no Direct
Tv Hall, São Paulo, em dezembro de 2001, lançado em 2002. Esse disco vem numa
embalagem diferente, linda, finíssima e comemora os 35 anos de carreira desta
artista maravilhosa que soube conquistar na sua caminhada tanto a crítica quanto
o público que lhe é fiel e como disse Fauzi Arap: o carisma de Bethânia não
cabe em palco nenhum. Assim como seu público dia-a-dia tem sempre que trocar as
médias platéias pelas maiores. Em 2003 ela lança o seu primeiro DVD - Maricotinha ao Vivo.
Em Cânticos Preces Súplicas à Senhora dos Jardins do Céu
lançado em 2003, Bethânia nos presenteia com a sua maneira ímpar de adorar,
reverenciar e louvar Nossa Senhora com uma intimidade que lhe é peculiar. Este
cd foi lançado em 2000 numa tiragem limitada.
Ainda em 2003,no dia 23 de setembro,
Bethânia cria o selo Quitanda, em parceria com Kati Almeida Braga, pelo qual é
lançado o CD Brasileirinho, outro nome não
poderia ter, pois mais brasileiro que ele só o Hino e Bandeira Nacionais,
torna-se uma unanimidade de crítica e público, vencedor do Prêmio Tim de Música
como o melhor disco da MPB e Bethânia melhor cantora. Também foi indicado para
concorrer no Grammy Latino-2004 nas categorias de Melhor Projeto Engenharia de
Gravação e Melhor Álbum de MPB.
O DVD Brasileirinho,
segundo da carreira, gravado no Canecão, no Rio de Janeiro em abril de 2004 e
lançado dia 26 de agosto, também no Canecão, Rio de Janeiro, abrindo uma nova
temporada de shows nesta cidade de 26 a 29 de agosto e de 2 a 5 de setembro e
dias 25 e 26 deste último mês no Tom Brasil, em São Paulo.
Em 24 fevereiro de 2005, Bethânia lança o cd em homenagem a Vinicius
de Moraes, cujo nome é Que Falta Você Me Faz,
segundo ela trata-se de uma declaração de amor alucinado por ele. O disco
além das músicas do poeta traz também o diferencial de Bethânia, que são os
poemas e textos. Associado ao lançamento do cd, Bethânia também comemora os seus 40 anos de carreira, fazendo uma turnê pelo país e exterior com o show Tempo, tempo, tempo, tempo.