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Maria Bethânia sob o olhar de Fauzi Arap
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Sabemos
que o palco para Maria Bethânia é onde ela faz do seu canto quase uma reza,
um rito sagrado compartilhado por seus músicos e seu público. Eletricidade,
vibrações, emoção, muita emoção é o saldo presente ao final de cada espetáculo
dessa artista que sabe, como poucos, magnetizar uma platéia. A melhor definição
dessa ligação com o palco é a de Fauzi Arap que escreveu: "... Ela criou uma
forma autônoma de existir. Que não depende da aprovação alheia para ser. Ela
nasceu do palco pelas mãos de Boal e Nara Leão. Ela não é monstro filho da máquina.
De nenhuma delas. Nem a televisão nem qualquer outra têm com ela parentesco
próximo. Ela é, sim, um monstro: Sagrado! Nasceu assim. Ela não pode ser a cantora
que outros queriam. Ela é a cantora que quer ser. E que é! Como uma força da
Natureza. Ela trabalha e aprofunda sua arte, sim. Mas sua arte é ser no palco,
luz que ilumina o cotidiano alheio. Seu trabalho tem alguma coisa de mágico,
antes mesmo de ser musical. A música é um instrumento. Assim como a palavra.
Sua verdadeira arte é lidar com o invisível. Eu encontro nela a síntese entre
o canto e a palavra falada, que busquei desde o início no teatro e no show...”.
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